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18.3.18

Yin e Yang ou Gênero e sexualidade: uma nova amiga

Dia 9 de março de 2018 assisti a um filme francês, chamado "Uma nova amiga", de François Ozon na Casa Fundação Badesc. Logo após, participei de um debate organizado por 2 psicanalistas, dentre os quais minha amiga Taoana Padilha (clique aqui para saber onde ela atende em Florianópolis).

O filme lembra uma das películas de Almodóvar: com um tom divertido trata de temas humanos como o luto e a sexualidade.
Uma das mensagens mais importantes do filme, que quero ressaltar aqui, é a pluralidade de possibilidades tanto de estilo, quanto de gênero, quanto de sexualidade.
Tradicionalmente divide-se a sociedade de forma polarizada, tal como o antigo símbolo do YIN e YANG, entre feminino e masculino:
O Yin, que representa o feminino é a parte negra do círculo, enquanto o Yang, que representa o masculino é a parte branca.
Essa dualidade é um arquétipo tão forte, que historicamente se associou de forma exclusiva homem-masculinidade (Yang) e mulher-feminilidade (yin).
Mulheres YANG e HOMENS YIN
Atualmente compreende-se que uma mulher pode ter muitos atributos masculinos, tal como a guerreira Joana D'Arc, uma representação da força; e um homem pode ter muitos atributos femininos, tal como a delicadeza do bailarino Mikhail Nikolaévich Baryshnikov. 

Isso não interfere em nada a questão de gênero, apenas demonstra que mulheres podem ter atitudes fortes que arquetipicamente são relacionadas ao universo masculino e homens podem ter atitudes delicadas, o que arquetipicamente atribuido ao universo feminino. 
FEMINISMO:
Nesse ponto é importante ressaltar que a defesa pela representatividade e pelos direitos iguais às mulheres deve levar em consideração o respeito pelo outro, independentemente do sexo biológico, do gênero ou da orientação sexual. Especialmente, deve-se compreender que as mulheres podem ter atitudes tanto YIN quanto YANG, assim como os homens podem ter atitudes tanto YANG quanto YIN e nenhuma das ações é melhor ou mais importante que a outra.

As mulheres e os homens tem o direito de optar como se vestem, o que fazem (profissões do arquétipo masculino/feminino), escolher o seu gênero e a sua orientação sexual, como veremos abaixo. Não existe melhor ou pior, apenas escolhas.
Uma questão de estilo:
Isso pode até refletir o estilo de se vestir e de se cuidar. As mulheres que gostam do estilo masculinizado chamam-se Tom Boys e os homens que gostam do estilo feminilizado, geralmente fazem a sobrancelha, as unhas e se depilam no salão de beleza chamam-se metrossexuais. Veja abaixo, a Gisele Bündchen num look Tom Boy e o Cristiano Ronaldo, famoso metrosexual.
Uma questão de gênero:
Um homem pode se identificar internamente como mulher assim como uma mulher pode se identificar internamente como sendo homem. Isso perpassa a questão do vestir, do externo. É um sentimento, uma percepção de si e discute-se no âmbito acadêmico se algumas pessoas nasceriam já com essa percepção ou se ela seria uma construção social.
Ante o exposto, quanto ao gênero, notamos que de um lado existem mulheres, que se identificam como homens e homens que se identificam como sendo mulheres, e isso pode ou não refletir no estilo que falamos acima. No filme que eu citei no inicio (Uma nova amiga), por exemplo, a personagem principal tanto se sente mulher (gênero) como gosta de se vestir de mulher (estilo).
Uma questão de orientação sexual:

Por fim, independentemente de todas as possíveis combinações acima, há ainda a escolha sexual, ou seja, por qual gênero a pessoa é atraida: se gosta de mulheres, de homens ou ambos.
A bissexualidade é considerada uma tendência para o futuro, para alguns. Leia mais aqui.
O único problema em relação à homoafetividade ou a bissexualidade é a eventual intolerância de quem não teve acesso à educação sexual. O amor é bonito entre todas as cores e entre todas as pessoas e respeitar a escolha alheia é contribuir para um mundo que convive em paz. 
A bissexualidade está na nossa carga genética, afirma médico psiquiatra:
“Remotamente, estamos ligados a duas espécies de macacos: o chimpanzé comum (Pan troglodytes) e o bonobo (Pan pasnicus). A primeira é extremamente violenta, política, autoritária e rude no trato com as fêmeas. A segunda, ao contrário, só quer saber de ‘paz e amor’ a toda hora, independentemente da idade ou do gênero do parceiro. Portanto, podemos dizer que tanto a bissexualidade quanto o comportamento autoritário fazem parte de nossa carga genética”, explica o psiquiatra José Ângelo Gaiarsa, médico psiquiatra de 87 anos, autor de mais de 23 livros. Fonte.
Uma questão de respeito: ser gay é direito
Ser gay passou a ser um direito protegido por lei. Se você é heterossexual, respeite quem escolheu diferente. Se você é homossexual, respeite quem escolheu diferente. Se você é bissexual, respeite quem escolheu apenas uma orientação. 
Se tiver curiosidade, segue link sobre educação sexual em português.
Casamento Homoafetivo (casamento gay) 
No Brasil o casamento homoafetivo é legalizado. O número de países é crescente, veja no mapa:
Nota-se no mapa que muitos dos países que não adotaram o casamento gay são de religião muçulmana, pois naquela cultura a relação homoafetiva ainda não é aceita. 
Em cerca de 70 países a conduta ainda é criminalizada.
No passado, o casamento interraccial era criminalizado e hoje em dia essa questão é legalmente superada. Leia mais no post sobre o LOVING DAY

YIN E YANG É OBSOLETO PARA DISCUTIR ESSAS QUESTÕES MAS...
Concluo, portanto, que o símbolo do Yin e Yang se tornou obsoleto para a representação das questões de gênero e sexualidade. Mas permanece sendo uma referência arquetípica da polaridade e do equilíbrio. Não há nada de errado em categorizar o mundo feminino e o masculino, mas hoje devemos compreender que há uma liberdade de trânsito entre esses universos. Ademais, energeticamente todos nós possuimos a energia positiva e a negativa e é a isso que esse símbolo antigo se refere. 
Nos átomos temos prótons e elétrons, no corpo flui a energia ida e píngala. Não é possível transpor essa dualidade em termos energéticos, pois isso é uma questão de constituição física.
Na filosofia do Yoga estudamos essas duas energias denominadas Ida e Pingala, sendo Ida a referencia do feminino e Pingala do masculino.
Sob esse aspecto, é ideal que conservemos ambas energias abastecidas e equilibradas: a feminina e a masculina. O aprofundamento dessa questão fica para um outro post! OM!

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